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É como em tudo: se uma vai, a outra não fica. E depois há o traje, não há quem não aprecie um bom roupão branco de nome ajaponezado. Já para não mencionar na possibilidade de estarmos descalços, a pontapear, esmurrar e a gritar, como se não houvesse um amanhã. Tudo somado, está explicada a presença da Sara nas aulas de karaté.
Quando tudo é novo, há momentos de deslumbre, de investigação e descobertas. Assim foram as primeiras aulas da Sara. Mas, bastou uma aula, para atingir a primeira grande descoberta: no regresso a casa depois da primeira sessão de karaté, com os dentes cravados num braço, afirma ela:
- Vês papá, os meus músculos já estão mais fortes, mais duros!
- Claro, o desporto faz muito bem aos músculos.
- Pois é. Assim, se alguém me quiser comer, já não vai conseguir, porque a minha carne está dura.
Esta cena, teve o condão de mostrar-me à evidência que, nas campanhas de promoção ao desporto, tem havido uma falha, que até pode ser considerada importante. Já todos sabemos que o desporto faz bem à saúde, fortalece coração, músculos vários, melhora isto e aquilo, faz bem a tudo, vá. Enfim, só vantagens, uma maravilha. Agora, o que não sabíamos, o que foi preciso vir a Sara mostrar-nos, é que o desporto tem ainda uma outra vantagem: torna o nosso corpo gastronomicamente menos apetecível, é uma excelente protecção contra o canibalismo. Esse grande flagelo das nossas sociedades ocidentais.