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É ir em expedição a qualquer hipermercado e deambular pela secção dos cereais para pequeno-almoço: que infinito universo abre-se para nós! Há de tudo para todos, do intragável ao maravilhoso, de todas as formas, feitios e sabores. A escolha apresenta-se, praticamente, como uma impossibilidade. O melhor é pegar no mesmo de sempre ou no primeiro que aparecer.
Estando eu e a Sara em plena odisseia, por essa densa selva de sabores matinais, quando deparo com o meu pequeno-almoço preferido, em criança: O Nestum com Mel (Cara Nestlé, a factura por este momento publicitário segue pelo correio hoje mesmo). E passei a elogiar o produto à menina, que era uma delícia, que sabia assim e assado, que ia comprar para ela provar. Mas a Sara teve opinião diferente:
- Com mel? Sabes papá, uma vez experimentei mel e não gostei.
A frase veio devidamente acompanhada por uma careta, que deu logo outra força à coisa. E continuou:
- É que eu achei o mel, assim,... azedo.
A Sara considera, portanto, que o mel é azedo. Algumas conclusões interessantes podem ser extraídas deste facto, como, por exemplo, estarmos na presença dum radical caso de inversão das papilas gustativas. É uma possibilidade, não o nego. Mas, sinceramente, não me parece ser esse o caso. Digo isto, porque vejo a alegria contagiante com que despacha tudo o que for doce e tenha o azar de se lhe atravessar no caminho: bolachas, chocolates, bolos e todos os seus sucedâneos, são universalmente considerados doces. E são considerados doces, porque são, fundamentalmente, doces. Ora se a Sara considera o mel azedo, estas guloseimas seriam descritas como? Penso que nem haverá palavra que descreva semelhante sabor...
Em resumo, a Sara considera o mel azedo e devora todas as outras guloseimas com alegria e rapidez. A meu ver, tudo isto revela um aspecto da personalidade da menina: estamos na presença duma empedernida masoquista. Só pode ser isso, está bom de ver.