Imagem retirada da Internet
Não deve haver quem não saiba o que é a tirania do tempo, esse brutal exemplo da maldição dos recursos escassos. Bem queremos que ele estique, mas a sua elasticidade tem limites incompatíveis com os nossos desejos.
Como sempre acontece nestes momentos de escassez, o primeiro passo para a sobrevivência é a escolha, o estabelecimento de prioridades, tu primeiro, tu a seguir, tu para o fim da fila, tu desapareces. Há que ter critérios e, neste caso, entre gastar o tempo no trabalho ou no blogue, pesou mais aquele que ajuda a colocar comida na mesa. Critério bem estúpido, dirão alguns. Sim, até pode ser, mas é que eu gosto bastante de comer. E o resto das pessoas que vivem lá em casa, também. Manias.
Já sabemos a causa, passemos à consequência: o blogue está à deriva, quase abandonado; arrasta-se penosamente pela blogosfera, numa orfandade de meter dó. E eu, seu pai desnaturado, encontro-me dividido entre a sádica manutenção desta agonia e declínio, ou, em alternativa, a utilização do meu cutelo virtual para aplicar-lhe uma piedosa eutanásia.
Não encontro forma de me decidir. Mas, pensando bem, a não tomada de uma decisão é uma decisão em si mesma. Só falta saber a duração da não decisão. É para sempre? Quem sabe. Eu sei que não sei.
Mas uma coisa sei: por estes dias, este blogue é zombie.