Imagem retirada da Internet
Há que começar com uma palavra de apreço para todos vocês aqui chegados, bem enganados pelo título do post. Bem sei que a palavra digital, com qualquer coisa atrás, atrai sempre uma boa quantidade de ávidos seguidores das parafernálias digitais, maluquinhos das novas tecnologias e demais fauna desse género. Eu sei que assim é, porque é o que me costuma acontecer. Estou, portanto, com vocês: solidário no vosso engano e triste com o tempo que agora perderam. É que aqui, neste post, digital vem de dedo, aqueles apêndices das mãos que, ao que parece, têm outras utilidades além de carregar em teclas e botões. Pronto, desfeito o engano, vão em paz e espero que aceitem as minhas sentidas desculpas.
Se no post anterior lamentei uma consequência da falta de tempo, agora devo acrescentar outra: a falta de tempo magoa, uma dor física, bem forte por sinal. Sim, porque foi só por manifesta falta de tempo, por mais nenhuma outra razão, ora essa que ideia, que o meu polegar esquerdo se viu na triste situação de aguentar, simultaneamente, a pressão duma porta e a dureza duma parede. É que a pressa é muita e não há tempo para abrir convenientemente as portas, quem me dera... Pois foi assim que o negrume atingiu o dedo e o bater do coração abandonou o peito e instalou-se na unha. Pelo menos foi o que pareceu. Literalmente, foi ter o coração nas mãos.
Mas há beleza escondida em todas as situações. Já o sabia, agora vi-o. E sentio-o. O momento solidário e fraterno estava ali mesmo à espreita e não se fez esperar: o polegar direito, ao ver o seu semelhante assim mutilado e entristecido, muniu-se dum profundo sentimento de partilha e empatia e arremessou-se, com uma interessante violência, contra um móvel. Foi lindo. Claro que o resultado foi de louvar, pelo menos em termos estéticos: dum lado o negro e, no outro, o vermelho sangue. Francamente belo e muito interessante também, porque o latejar do coração agora acontecia nas duas mãos. É tão bom ter dois corações, pode dar muito jeito em caso de transplantes e tal.
Fica assim provado, como se ainda tal fosse preciso, que o povo é sábio quando diz que a pressa á má conselheira. Aliás, se quiserem uma prova ainda mais forte, basta lerem este texto novamente...