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Quando o telemóvel anuncia que o meu próximo interlocutor dá pelo nome de "EB1 de ...", imagino imediatamente que a Beatriz está agarrada, com um esgar de dor, a qualquer parte do corpo, se espetou furiosamente contra uma parede na aula de educação física, partiu os óculos em trinta pedaços ou qualquer outra desgraça dentro do género. Foi esse o caso desta vez.
Que eram os ouvidos. Que estava a queixar-se de dores lancinantes desde manhã, que parece que a coisa era tão grave que ela não aguentaria a brutal espera de mais duas horas até nós lá chegarmos. A menina confirmou, respondendo com hum hum a tudo que perguntei. Naturalmente hesitei entre chamar os meus pais para a irem buscar, ou partir logo para a opção INEM, que a coisa afigurava-se gravíssima. Optei pela primeira, mas com um grande aperto no coração e mesmo com um sentimento de culpa já bastante acentuado, como podem imaginar.
A entrada no carro dos avós, mais uma vez travestido de ambulância, parece ter feito bem à maleita da menina: à pergunta da avó de como se sentia, bastou um abanar de mãos, como quem diz mais ou menos, para ficarmos logo todos mais aliviados. Sim, porque como é sabido, mais ou menos é muito melhor que mal. Que alívio, até já se respira melhor.
Para conseguir uma cura há quem faça de tudo um pouco: quem vá ao médico, ao hospital, ao curandeiro, ao endireita, à bruxa, faça promessas, consulte o Professor Bambo, poderoso mágico perito em magia branca e negra, maus-olhados, amarrações e arranjinhos em geral, quem se encha de medicamentos e outras opções mais. A Beatriz não. Ao que parece, basta-lhe umas horas na casa dos avós para logo melhorar. É que são várias as valências lá existentes, tudo em prol da saúde das crianças. Senão, vejamos: podem passar-se horas sem fim em frente ao computador, em diversas actividades, qual delas a mais divertida. Também temos a opção de nos estendermos num sofá a olhar para a televisão ou a ler qualquer coisa. Como é evidente, tudo isso acompanhado pela possibilidade de se lanchar umas cinco vezes por tarde, o que não faz senão bem. E depois há as actividades ao ar livre, que vai desde passear e apanhar flores, até uma paragem para comprar um brinquedo qualquer, culminando quase sempre num gelado puramente medicinal, evidentemente. Em conclusão, ir para a casa dos avós é como ir para as termas, sem a chatice da parte das termas.
Serviu este episódio para confirmar, como se tal fosse necessário, a potência curadora dos ares da casa dos avós. Sim, porque era doença de monta, pobrezinha.