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Das duas, uma: ou as minhas filhas são muito intergeracionais ou as conversas sobre doenças, maleitas e achaques, não são propriedade privada dos velhinhos das salas de espera dos centros de saúde. Isto porque, à saída da aula de karaté, a conversa no carro aterrou na saúde ou na falta dela. Batemo-las todas: da constipação passamos à gripe (das aves, dos porcos e demais bicharada), da gripe fomos à pneumonia, a coisa ia-se agravando, o quadro clínico debatido era já bastante reservado, até que desaguamos no cancro. Ora foi aqui a Sara não pareceu estar ao nível da conversa, tendo necessidade duns esclarecimentos adicionais:
- Cancro? E em que parte do corpo é isso?
Não há nada mais bonito do que uma irmã mais velha a partilhar a sua sabedoria. E assim foi, a Beatriz esclareceu:
- O cancro pode ser em qualquer parte. Por exemplo, nos meninos, se lhes baterem na pila, podem ficar com cancro.
Palavra de professora, garantiu-me. Quem sou eu para discordar da sacrossanta palavra de tal sumidade? Naturalmente remeti-me ao mais respeitoso silêncio e dei graças a que não é por estarmos a falar duma pequena escola pública, que investigação científica da mais elevada categoria não seja feita por lá. Confesso que nunca encontrei o laboratório avançadíssimo que certamente existirá e até já andei a espreitar... Só se for na cantina, nas horas mortas. É, deve ser.
Ainda bem que o processo de avaliação dos professores está em marcha. Há que distinguir e premiar estes casos de excelência. É que não acredito que haja muitos locais no mundo onde uma professora primária, no intervalo da tabuada do três e dos substantivos colectivos, se dedica ao estudo do efeito duns bons pontapés no meio dumas pernas masculinas. Brilhante.
Sindicatos, baixem as armas! Deixem a avaliação avançar. A bem da Nação.