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De modo que acabaram. Está bem que aqui ninguém se apercebeu, tal o marasmo blogueiro, mas as férias acabaram. Não as férias de escrita no blogue, que isso é coisa para assim permanecer; se quiserem vão queixar-se ao meu chefe. E, daí, não vão coisa nenhuma, que o resultado pode ser desinteressante para estes lados... Vá, estejam quietinhos.
Pois este ano foi seguir o ir para fora cá dentro, que, se é para apanhar gripe, ao menos que sejam uns vírus que falem em bom português. Mas não é por andar cá dentro, que não se anda muito. Fomos dum extremo ao outro, regressamos e partimos para outro extremo, que o país é pequeno, mas tem extremos que se farta. Fartamo-nos, portanto, de extremar, como que a mostrar que não é no centro que está a vritude, mais uma frase feita que cai assim por terra, coitada.
Tracemos o mapa, que é sempre bom perceber-se do que se fala: de Braga a Milfontes, de Milfontes a Braga, de Braga a Miranda do Douro e de Miranda do Douro a Braga, mais as necessárias incursões pelas respectivas regiões. E, já agora, também uma ligeira incursão por regiões não nossas, um saltito a terras vizinhas, que acabou num caminho para cabras espanholas. Calma, não são as espanholas que são cabras, a estrada é que era para cabras, não vá já começar aqui e agora mais uma desavença diplomática. Muitas horas, muitos quilómetros, está feita a confirmação da publicidade que garante que o nosso país cresceu. Se não cresceu, parece.
Coisas várias se podem fazer em tão poucos dias. No extremo do litoral podemos sempre aspirar o cloro das piscina, esmagar as plantas dos pés nas pedrinhas à beira-mar plantadas, aterrar numa espreguiçadeira a ver as nuvens passar no azul do céu, pelo menos até aparecer uma face infantil a perguntar se já está na hora de cair na água, pela trigésima vez nos últimos 10 minutos. Ou então, numa impressionante recriação dum qualquer livro dos "Cinco", avançar sem medo por grutas escorregadias em busca dum monte de ferrugem, com forma de barco, encalhado para sempre num mar de areia.
Já no extremo das terras de Miranda a música é outra e parece-me evidente que seja feita em mirandês: parte-se nun barco bilingue para besitar cuorbos i demales passarada, mui sperançados que l barco nun se smague contra las arribas, l que ne ls tornarie ne l'almuorço de l duonhos de la casa... por falar an almuorço, hai que passar fame antes de partir para estas paraiges, adonde las tostas mistas son jantares para 4 pessonas i la la famosa posta ten tanto de bun cumo de trabalhoso. Mas nun ne ls quedamos, fomo-mos a eilha cumo manda la tradiçon. I eilha fui-se. Tradiçon ye tamien ber ls pauliteiros, tamien era solo l que faltaba alhá ir i nun ls ber, que serie bien pior que de l que nun ber l papa an Roma, yá qu'esse nun ten ritmo i dá un cacho de sono. Ls pauliteiros ye al cuntrário, haba ritmo i gaita de foles i ye bé-los a rodopiar i a paulitar, de roupas garridas, antre boltas i rebiraboltas, traçan caminos de coraige i beleza, tanto pa l mirar cumo pa ls oubidos. Quien bai la Miranda i nun ls bai ye ber, nun merece l'aire que respira.
E assim foi. E assim acabaram. E agora, que os sapatos finalmente tomaram o lugar das sandálias, já as saudades surgem. Não destas férias que passaram, mas sim saudades das próximas. Que para trás mija a burra; olhemos para a frente, então.