Imagem retirada da Internet
Adversário de respeito, este. E luta inglória, é que não se vê maneira de o derrotar: contorná-lo, pará-lo ou derrubá-lo, não são opções. Atrasá-lo parece que também é complicado. Que nos resta, então? Há sempre a táctica cínico-derrotista do, se não posso vencê-lo mais vale juntar-me a ele, que neste caso da passagem do tempo, que é disso que se trata, tem expressão na celebração. Já que não o derrotamos, podemos sempre fingir que ficamos todos contentes, ai que alegria tão grande, com a sua vitória. Celebremos.
Dá-se o caso, na verdade deu-se há uns dias (que atento que eu ando), dá-se o caso, dizia eu, que este blogue fez 2 anos. Não que o facto em si mereça grande celebração, basta ver a regularidade dos últimos textos para termos uma imagem dum infinito deserto branco, pintalgado aqui e ali por uns oásis em forma de posts. Celebramos, pois, um quase-cadáver, a quem ainda não houve tempo, oportunidade, coragem, sei lá, de dar o golpe misericordioso e o enviar para o céu dos blogues. Ou para o inferno deles. Para o purgatório não, porque tal coisa foi extinta por decreto papal e, por mim, muito bem, até porque era zona bem duvidosa e, certamente, muito mal frequentada.
Curiosamente, dei por mim a pensar: o curioso não é eu ter estado a pensar, até o faço com uma frequência relativa, às vezes mais do que uma vez ao dia, o curioso foi o pensamento em si. Avancemos. Pensei eu que, provavelmente, se o blogue já estivesse morto e acabado, esta celebração seria muito mais vantajosa, porque não faltariam grandes discursos elogiosos, coisa boa para o ego de qualquer mortal. É que não há morto mais formoso que o morto português. Toda a gente sabe que em Portugal qualquer escroque morto, ainda com o corpo a arrefecer, tem sempre um fundo de bondade, que foram as situações e tal que o levaram a ser um bocado mau, mas que no fundo no fundo, bem lá mesmo no fundo, era muito bonzinho e ajudava a mãe e até mesmo os pobrezinhos, coitado. Entre nós, ninguém é melhor em vida do que vai ser na morte, nem por sombras.
Tudo isto me leva a antever que a próxima celebração sobre este blogue que vou promover, quem sabe o seu terceiro aniversário, será já depois de ele morrer. Aí sim, aparecerão hordas de amigos, conhecidos e afins, todos de lágrima no canto do olho, expressão pesada pela perda e com elogios a granel pelas teclas fora. Momentos muito bonitos, antevejo e eu vou ficar muito tocado e praticamente sem palavras. Vai ser a glória.
Só não estou certo se, depois de morto, possam ser celebrados aniversários... Depois vemos isso.