
Alinhem-se os baldes e as esfregonas, que, quando um pai (d)escreve o sucesso duma filha, a baba pode escorrer e inundar écrans, teclados e ratos, com os problemas que se podem adivinhar. E, cautela, este blogue não tem seguro, é do mais irresponsável que há, e não vou agora entrar aqui em despesas inesperadas. Assim, escusam de empunhar facturas em meu nome, a não ser que já estejam pagas: nesse caso tudo bem, sempre podem servir para eu tentar meter no meu IRS, se ainda tal coisa for possível...
É duro ser-se agraciado. E ser espectador da cerimónia, também: receber os símbolos da chegada ao cume, pode ser um processo demorado e, mesmo penoso. Porque estamos num país em que uma cerimónia tem que ser, por natureza, cerimoniosa. E foi vê-los a todos, em seus fatos domingueiros, arranjados e arranjadas como para um baile, mas aqui a dança é outra: dança-se a troca de favores, um microcosmos de lambebotismo, das palmadinhas nas costas, dos elogios a granel, é prá maria e pró manel, somos todos tão dedicados e bons, a oitava maravilha do mundo moderno.
Duas horas e meia de discursos, medalhas, sorrisos e aplausos. Muitos aplausos: para quem organizou tudo isto, para quem pagou, para quem apoiou, para quem manda e para quem obedece, para quem trabalhou, muito, pouco ou nada, para os pais e para as mães, para os senhores directores, senhores representantes, senhores presidentes disto e daquilo, mais aplausos para quem está e, também, porque não?, para quem não está mas gostava de estar. Por acaso, esqueceram-se de pedir um aplauso para o agricultor que semeou as flores que embelezavam o palco. Espero que no próximo ano esta falta seja reparada, era da mais elementar justiça.
Poucas vezes, nestes anos de vida, as minhas falangetas foram tão colocadas à prova. Temi, aí pela trigésima salva de palmas, que uma fractura de esforço pudesse aparecer a qualquer instante. Estou muito destreinado nestas lides de bater palmas: vou agora entrar à socapa em algumas cerimónias institucionais e, quem sabe, no próximo ano já me apresento em muito melhor condição física e, assim sim, vou bater vigorosamente todas as salvas de palmas que forem solicitadas. É que não vai escapar uma.
Mas o que são as dores de mãos, quando vemos que a nossa filha está ali, feliz, realizada, naquele cume? Mesmo que todos saibamos que, este cume, é apenas o ponto de partida para uma nova subida, mais longa, mais íngreme, mais custosa. Mas atingível.
Parabéns Beatriz.