urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35A partir dos 35aternurados35LiveJournal / SAPO Blogsaternurados352013-01-18T08:00:04Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:37451pnf2013-01-18T08:00:04Dez2013-01-11T15:28:17Z2013-01-11T15:28:17Z<p><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B60116b71/14230023_6kbQZ.jpeg" alt="Dez anos" width="250" height="250" /></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
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<p>Todos temos os momentos que marcam uma vida, fazendo-nos experimentar um dos vários tipos de sensações, de todo o panteão de sentimentos que um humano pode sentir. Depois, há outros momentos que têm a capacidade de nos fazer toda a mescla desses mesmos sentimentos, condensando-os em tão pouco tempo, que nos esmagam. Há 10 anos, foi assim. Entre sangue e lágrimas, alegria.</p>
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<p>Sabes, Sara, nunca tanto receio e alegria viveram de forma tão próxima, dentro de mim, como nesse dia. Nunca a matemática das datas, das semanas, me assustou tanto. Nunca uns gritos histéricos dum médico e um dedo indicador espetado na tua cabeça, me alegraram tanto. Nunca um bebé nos braços me atingiu assim. Nunca, talvez não, dois anos e meio antes, também assim foi. Mas não foi assim, foi diferente.</p>
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<p>E hoje passas mais uma barreira, ganhas um novo dígito. Passas um barreira, não, pulas. Porque fazes isto como fazes tudo, com esse sorriso que te rasga eternamente a face e com a facilidade com que transformas tudo em que te empenhas. Mas também com a inquietude que sempre revelas, aquela impossibilidade do marasmo que vive em ti. Crescer é urgente em ti, tudo é urgente em ti, tudo é rápido e imediato. Até as respostas são prontas e afiadas e, normalmente, certeiras.</p>
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<p>Porque és assim, o meu doce atómico e acelerado, que me povoas a vida com inteligência e velocidade.</p>
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<p>Parabéns, Sara.</p>
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<p>Amanhã farás 12 anos, no dia 12, do ano 12. Não te volta a acontecer na vida, certinho. Parece um bom motivo para escrever-te? Ou então é só pretexto, porque nunca um motivo me levou à escrita, pelo menos vindo de fora. Muito menos coincidências numéricas.</p>
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<p>Estás a crescer, menina. Já quase nem és menina menina, és uma menina moça, um projeto, um trajeto, uma futura mulher. Lá vais tu, dia a dia, a formar-te e também a deformar-te. Tentamos amparar-te aqui e ali, modelamos e moldamos. Mas somos só o molde e nem sempre o respeitas. Não enches a forma até cima, entornas por fora, escolhes outros moldes. Crescer deve ser sempre assim: respeitar e transgredir o que esperam de nós.</p>
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<p>E agora contradizes-te e contradizes-me. Afinal és e continunas a ser menina menina. Aí estás tu à minha frente, no chão, num café imaginado, Kens como clientes e Barbies ao balcão. Tudo como dantes, agora com onze quase doze, como dantes com três.</p>
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<p>Afinal crescer é uma manutenção e é, também, uma contradição em movimento. Já aprendi alguma coisa hoje.</p>
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<p>Parabéns Beatriz.</p>
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<p>Isto das ressurreições, só lá vai aos empurrões, é coisa vinda de fora. E já não é de agora, mesmo aquela muito famosa, um acontecimento assombroso já com uns bons 2000 anos, só aconteceu porque alguém ordenou, levanta-te ó Lázaro, que o pobre homem, ali morto e posto em descanso, não ia lá agora lembrar-se de se levantar e andar. A inércia ordenava que estivesse morto e sossegado, para todo o sempre, na bela e imutável ordem natural das coisas. Imagino mesmo que terá sido com algum desagrado que recebeu a ordem, ai que as pernas doem de tanto tempo deitado, um incómodo valente. Mas ordens são ordens, quem pode manda e, ressuscitar ou não ressuscitar, não era a questão, era o que tinha que ser.</p>
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<p>Com este espaço, é o mesmo. Dum blogue assim mumificado, inerte como um rocha no deserto, alegre na sua morte, não se espere que desate numa torrente de ideias novas, de textos palpitantes, assim de pé para a mão. Não pode ser, nem pensar, tão bem é estar parado, tão confortável esta morte.</p>
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<p>Por isso estranhei quando me fizeram um convite assim. Ressuscitar isto? Por convite?</p>
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<p>Sem dúvida que o convite era irrecusável. Como tal, eu, evidentemente, recusei.</p>
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<p>Porque não se convida para o transcendente, para realizar o não natural. Ressuscitar deve ser operação para furar umas dezenas largas de leis na física e da biologia, entre outras ciências, ocultas ou não. Coisa complicada de conseguir-se. Não estão à espera, certamente, que seja um convite, mansidão por natureza, a dar força para tão bíblica tarefa. Um morto não se convida, não é natural. Não se vence um conforto desses com falinhas mansas, com se faz favor, se não se incomoda, era tão bom, por obséquio. Nada disso. Que as grilhetas que prendem a um descanso tão eterno e perfeito, são majestosas, chumbo e espuma ao mesmo tempo. Se há extremos que se tocam, estes enrolam-se um no outro: estar morto é um sossego.</p>
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<p>Está bom de ver: ressurreição, só aos gritos, com ordens bem dadas, palavras duras, por intimação. Se há que vencer inércias e atritos, preguiças e confortos, não me convidem: isso não dá força nem para abrir um olho.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:36843pnf2010-11-30T16:32:18Sobre os tesouros que saltam à vista2010-11-30T16:37:11Z2010-11-30T16:37:11Z<p><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bef0525b8/7552274_DikE9.jpeg" alt="" width="350" height="272" /></p>
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<p>Prometi a mim mesmo que escrevia isto. Ou melhor dito, sobre isto. Não porque tenha interesse, que não tem, mas porque tive um impulso que era sobre isto que devia escrever e, mesmo que o impulso tenha passado, que não há impulso que dure duas semanas, grande impulso seria esse, dava para atirar um elefante para fora do sistema solar e mais além. Dizia eu que o impulso já se foi, mau era, mas não seria por isso que deixaria de o respeitar e cumprir. Queremos nós andar aqui a renegar os nossos impulsos? Por mim, nem pensar. Que seremos nós sem os nossos lampejos de animalidade, o pulsar que nos afasta dum ser racional a cem por cento e sermos uma desinteressante amálgama de carne e ossos? Longe de mim essa imagem de racionalidade pura e ambulante, adoro a liberdade de ser um animal completo, mas não um completo animal.</p>
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<p>Tudo isto originado por um filme, melhor, um DVD perdido em casa. Perdido também não é a palavra, porque ninguém o procurava, penso até que ninguém sequer se lembrava que ele existia. Um tesouro eternamente à vista, tão à vista que nunca ninguém o viu, intocado desde que, sabe-se lá como, entrou em casa. Até que eu lhe toquei e, naquela atitude de deixa lá ver o que isto é, o libertei do celofane e permiti que tomasse assento numa unidade onde lhe fosse possível mostrar ao mundo, ao meu claro, uma outra forma de cinema.</p>
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<p>Desconheço se "American Splendor" será uma obra-prima. Sei que para mim o foi, ali, naquele momento. Como é bom ver uma nova interpretação duma arte, rompendo com as suas fronteiras, estraçalhando com os limites naturais do cinema e ao mesmo tempo aproximando-o, misturando-o, com o documentário e a banda desenhada, outras linguagens, mas certamente não línguas estranhas. Ver o real e a sua representação cruzando-se, como se fosse a coisa mais natural do mundo, mostrou-me, uma vez mais, que há sempre muitos caminhos a percorrer, muitos mais do que aqueles para onde a preguiça e o medo nos empurram, dia após dia. Romper é sempre agredir, mesmo que seja esse o percurso mais curto entre dois pontos.</p>
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<p>Foi por me ter sido revelado que algo mais é sempre possível, que terminei o filme a dizer que tinha que escrever sobre isto. E foi também, e se calhar principalmente, pela evidência que todos temos tesouros à vista, sem escavar encontramos pérolas. Basta abrir os olhos. E ver, porque olhar não chega. Por isso quis escrever: está feito, não se fala mais nisso.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:36356pnf2010-10-25T10:00:23Sua Excelência2010-10-21T22:45:23Z2010-10-21T22:45:23Z<p><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bef056e06/7390742_klWU2.jpeg" alt="" /></p>
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<p>Alinhem-se os baldes e as esfregonas, que, quando um pai (d)escreve o sucesso duma filha, a baba pode escorrer e inundar écrans, teclados e ratos, com os problemas que se podem adivinhar. E, cautela, este blogue não tem seguro, é do mais irresponsável que há, e não vou agora entrar aqui em despesas inesperadas. Assim, escusam de empunhar facturas em meu nome, a não ser que já estejam pagas: nesse caso tudo bem, sempre podem servir para eu tentar meter no meu IRS, se ainda tal coisa for possível...</p>
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<p>É duro ser-se agraciado. E ser espectador da cerimónia, também: receber os símbolos da chegada ao cume, pode ser um processo demorado e, mesmo penoso. Porque estamos num país em que uma cerimónia tem que ser, por natureza, cerimoniosa. E foi vê-los a todos, em seus fatos domingueiros, arranjados e arranjadas como para um baile, mas aqui a dança é outra: dança-se a troca de favores, um microcosmos de lambebotismo, das palmadinhas nas costas, dos elogios a granel, é prá maria e pró manel, somos todos tão dedicados e bons, a oitava maravilha do mundo moderno.</p>
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<p>Duas horas e meia de discursos, medalhas, sorrisos e aplausos. Muitos aplausos: para quem organizou tudo isto, para quem pagou, para quem apoiou, para quem manda e para quem obedece, para quem trabalhou, muito, pouco ou nada, para os pais e para as mães, para os senhores directores, senhores representantes, senhores presidentes disto e daquilo, mais aplausos para quem está e, também, porque não?, para quem não está mas gostava de estar. Por acaso, esqueceram-se de pedir um aplauso para o agricultor que semeou as flores que embelezavam o palco. Espero que no próximo ano esta falta seja reparada, era da mais elementar justiça.</p>
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<p>Poucas vezes, nestes anos de vida, as minhas falangetas foram tão colocadas à prova. Temi, aí pela trigésima salva de palmas, que uma fractura de esforço pudesse aparecer a qualquer instante. Estou muito destreinado nestas lides de bater palmas: vou agora entrar à socapa em algumas cerimónias institucionais e, quem sabe, no próximo ano já me apresento em muito melhor condição física e, assim sim, vou bater vigorosamente todas as salvas de palmas que forem solicitadas. É que não vai escapar uma.</p>
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<p>Mas o que são as dores de mãos, quando vemos que a nossa filha está ali, feliz, realizada, naquele cume? Mesmo que todos saibamos que, este cume, é apenas o ponto de partida para uma nova subida, mais longa, mais íngreme, mais custosa. Mas atingível.</p>
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<p>Parabéns Beatriz.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:36183pnf2010-10-15T10:00:31Um palavrão de manhãzinha, nem sabe o mal que lhe fazia2010-10-14T22:30:07Z2010-10-15T14:14:50Z<p><a class="saportelink"><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o4605778f/7342925_w0dqZ.jpeg" alt="" /></a></p>
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<p><span style="font-size: medium;">Vê-los crescer, ganharem novas competências, um vocabulário mais rico, é sempre bom. Pelo menos é o que dizem. Eu, pela parte que me toca, acho isso muito bem: é de facto imensamente lindo ver os nossos filhos a crescerem e falarem como gente crescida, mas prefiro que seja depois do pequeno-almoço, assim quando já eu estiver relativamente acordado.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É que os palavrões podem ser muito indigestos logo pela manhã, como sabemos. A mim, pelo menos, caem-me sempre muito mal. Talvez tenha a ver com o facto de me colocarem contra a certeza que as minhas meninas crescem rápido demais, para o meu gosto. E eu gosto pouco que me coloquem contra certezas do que não gosto, prefiro ir de encontro às certezas do que gosto. São gostos meus, manias.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Provavelmente será melhor esclarecer desde já as almas mais sensíveis, que estamos aqui a tratar de palavrões e não de asneiradas, essas coisas de fazer corar o mais libertino leitor. Não, nada disso. Assim fosse e já a bola vermelha estaria içada, ali ao canto. O assunto, dizia eu, são os palavrões, aquelas palavras em que a proporção entre o número de sílabas e a idade de quem a diz, não bate certo. Como, por exemplo, a Beatriz, do baixo dos seus nove anos, dizer impronunciável. De referir que eu disse por exemplo, mas na verdade não é um exemplo, é mesmo o facto que queria relatar. Talvez, parece-me, não devesse ter dito por exemplo, ou, pior ainda, não devia ter usado o facto a relatar, como um exemplo... Adiante.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Impronunciável. Aos nove anos. E logo ao pequeno-almoço. Subitamente, senti-me atirado para o futuro, dei de costas com 2020 ou 2025, altura em que esperaria ouvir essas palavras, vindas de quem vieram. Porque, aí sim, seria uma palavra, não um palavrão. Era o mesmo que eu escrever aqui e agora uma palavra, aí com umas 35 sílabas, não queriam isso, pois não?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É que isto não foi só o susto matinal que me deu. Não, vai mais além. Dei por mim a imaginar no tipo de palavreado que será necessário ter ao jantar, ou mesmo daqui a um ou dois anos. Será mesmo complicado arranjar palavras, perdão, palavrões, para a Beatriz. Onde vamos nós encontrar palavras portuguesas, com umas quinze ou mais sílabas? Só vejo uma solução, passarmos para o alemão, ou o galês, gente habituado a colar as palavras umas às outras, sem rei nem roque.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Há ainda outra possibilidade, agora que penso melhor no assunto, podemos tentar falar em juridiquês, aquela língua esquisita com que os nossos legisladores gostam de se entreter. Mas é melhor não, o galês entende-se bem melhor!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:36054pnf2010-09-16T22:06:14Analgésico feminino2010-09-16T21:10:45Z2010-10-18T16:25:09Z<p><a class="saportelink"><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bde059842/7166102_ZanHV.jpeg" alt="" /></a></p>
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<p><span style="font-size: medium;">A Sara sempre teve um problema de locomoção. Melhor, sempre teve um problema com o conceito de andar. Para ela, andar é correr, e correr, é correr ainda depressa. Ora, quem muito corre, muito cai. São as leis da Física, essas malandras. Lamentar ou lutar contra isso, é tão útil como uma colher de pau num combate a um incêndio.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Temos, assim, uma criança lançada em elevada velocidade, gelado numa mão, a piorar ainda mais o equilíbrio, o prenúncio do desastre. Uma perna que bate noutra, uma curva mal medida, talvez, quem sabe um degrau que não devia ali estar e cá temos o acidente, a desgraça anunciada. A menina já não corre, levanta-se. No chão ficou o gelado, restos de pele, algum sangue e o orgulho ferido. Estamos na presença de quatro feridas, uma para cada membro, que assim é tudo muito mais democrático, comem todos por igual. Não queremos cá uma perna a rir-se dum braço ou um braço a gozar com o outro.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Muito pior que a menina, ficou a avó, que, de tão aflita, já não distinguia onde acabavam a manchas do cornetto de morango e começava o sangue. Assim, Centro de Saúde com ela. E todo o ritual próprio dessas instituições, foi cumprido: um pouco de cunha para serem atendidas, o deitar na marquesa, os betadines e a água oxigenada, o chupa-chupa, as compressas e o conselho final: já está, agora se a menina tiver dores, podem dar-lhe um pouco de Ben-U-Ron. Todos os pais o sabem, até porque é fatal como o destino, seja em Braga, Freixo-de-Espada-à-Cinta ou na Ilha do Corvo, uma ida a um Centro de Saúde com uma criança, nunca está completa até que nos digam que podemos dar Ben-U-Ron, caso haja dor. Tem que ser, é assim mesmo, e, caso um dia tentem terminar uma consulta sem essas palavras, eu sei que estarei na presença dum falso profissional e saio dali directamente para a esquadra da polícia, para apresentar queixa.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Naturalmente muito combalida, a menina partiu para um sofá que lhe desse descanso, uma televisão que passasse uns belos bonecos e, porque não, um lanche ainda mais reforçado do que é habitual. O que me parece uma impossibilidade física, mas acredito que a avó o tenha tentado com grande vigor e dedicação.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O tempo tudo cura e os bons conselhos ficam para sempre. Já o sabíamos, mas a Sara agora se encarregou de nos relembrar. Depois de muito descanso e quando alguém perguntou como estava, belas palavras saíram pela sua pequena, porém sábia, boca:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Já estou melhor, mas se tiver dores, vou tomar um Bennetton.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Sempre se disse, e eu até ia acreditando, mas agora é para mim uma certeza: não há nada que faça melhor a uma mulher, do que ir às compras. E, pelos vistos, está inscrito nos genes, reside nas profundezas do cérebro feminino. No caso da minha filha, a coisa até parece ser mais extrema, porque sabe perfeitamente qual é a marca que lhe tira as dores. Acredito que se o problema fosse outro, por exemplo febre elevada, haveria uma outra marca qualquer que tivesse o poder de reduzir a temperatura, mas ainda não tive a oportunidade de aprofundar este tema.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Meus caros médicos, aconselho a substituição das vossas tabelas de medicamentos, pela lista das lojas do centro comercial mais próximo. Porque quando aparecer algum ser do sexo feminino, grande ou pequeno, com grandes ou pequenas mazelas, não lhes indiquem a farmácia, mandem-nas às compras!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E pensar que andaram os nossos antepassados pelos campos e montes fora, à procura de ervas e raízes, fazendo chás e infusões, julgando que estava aí a solução para todas as maleitas... Pobres almas, mas então não viam que a solução não se encontrava aí, mas sim num qualquer shopping?</span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:35681pnf2010-04-18T22:34:27É o bicho, é o bicho...2010-04-18T21:39:01Z2012-06-30T08:33:08Z<p><img style="border-color: black; width: 355px; height: 355px;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o4101ca20/5870417_z0cDY.jpeg" alt="" border="0" /></p>
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<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Parecendo que não, este blogue até que tinha um objectivo. Está certo que, pelo caminho, enviesou-se por caminhos e becos algo confusos e foi perdendo a autoestrada que dava sentido à coisa. Relembremos, então: serviria para relatar o suficiente que garantisse uma ideia da infância, para que, quando as minhas filhas forem grandes, não tenham a necessidade de me perguntar histórias de quando eram pequeninas. Assim, precavendo desde já a hipótese das maleitas dos velhos me limparem a memória, ficam aqui as coisas, preto no branco, em eternos bytes gravados.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E há coisas que devem mesmo permanecer, pedaços importantes do tapete de memórias que se quer tecer, por mais improváveis que pareçam. É aqui que aparece o bicho, ou melhor, o bichinho: animal sem espécie, tem um diminutivo como nome, que nasceu há tantos anos quantos os anos em que as crianças aportaram na nossa vida e não cresceu. Nem nunca crescerá. O bichinho é a minha mão e a alegria das meninas. Talvez seja uma recriação do Coisa da Família Adams, o que desde logo prova que não há personagem de terror, que não possa ser bem aproveitada, para uma brincadeira infantil. Estou até muito esperançado que apareça alguém que infantilize o Freddy Krueger, que me parece muito indicado para alegrar qualquer festa de aniversário infantil. Estou certo que concordarão comigo.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O bichinho gosta de crianças, brinca com elas, mas rouba-lhes bolachas e puxa-lhes os cabelos. E elas zangam-se com ele e ralham-lhe, bichinho!!. E ele fica envergonhado, roça os dedos, uns contra os outros, cabisbaixo, ele não faz nada por mal, ele é assim, é pequenino. Claro que ele não fala, estes dedos não têm boca, mas nem precisa: não há movimento que elas não entendam, vontades que elas não percebam, dores que elas não acudam. Tantos anos de convívio, transformaram duas crianças e uma mão, na pandilha mais perfeita e improvável.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu sei que o bichinho não cresce e só morrerá comigo. Mas sei também que a sua vida não vai estar activa muito mais tempo... Daqui a pouco vou ouvir, contrariado talvez, que está na hora do bichinho ceder o seu lugar, na vida das meninas. Que está na hora de entregar o bichinho à sua história passada, à infância que para trás vai ficando. E ele, coitado, hibernará. No meu bolso será guardado, assim como guardadas ficarão as memórias de tantas horas de diversão, que cinco dedos e duas crianças podem ter, todos juntos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Mas, quem sabe, um dia não ouvirei, talvez mesmo daqui a umas tantas décadas, papá, onde está o bichinho? E, nesse dia, uma encarquilhada mão se libertará do peso dos anos, abandonará a manta das memórias e ganhará de novo a sua vida. À procura de bolachas para roubar, cabelos para puxar ou mesmo de corrimões onde escorregar.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:35555pnf2009-10-13T09:16:394 dias em terras de má fama2009-10-13T09:39:11Z2009-10-13T09:56:17Z<p><img border="0" style="border-color: black; width: 374px; height: 241px;" alt="" src="http://fotos.sapo.pt/0ksqgZU4zmQrzfL4wYeA/" /></p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><span>Imagem retirada da Internet</span></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Como garantido tínhamos 4 dias de tédio e aborrecimento. Pelo menos era o que se podia concluir depois dumas breves pesquisas. É que bastou ler umas duas ou três opiniões sobre o nosso destino, para vermos que os adjectivos mais utilizados andavam na onda do sonolento, chato, desinteressante e mais uns sinónimos, igualmente simpáticos. A coisa prometia. Pelo sim pelo não, meteram-se uns livros no saco, para acelerar as horas que teimassem em passar.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não li nem uma linha. Não tive tempo: ocupei-me a observar a beleza, a divertir-me, a ver, a provar. Não me aborreci. Que miséria, não consegui chegar às mesmas sensações de quem esteve lá antes... Onde terei errado?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Claro que quem chega a Bruxelas com a ideia de ver uma horda de cinzentões engravatados a medir maças com régua e esquadro, a garantir que todas as bananas curvam para o mesmo lado ou a normalizar qualquer outra coisa, são capazes de ficar um pouco desiludidos. Esses eurocratas-maníacos-dos-standards devem andar acantonados nos seus gabinetes, porque nas ruas encontramos um povo simpático e folgazão, a aproveitar os raios de sol ou os pingos de chuva, nas esplanadas; fanfarras coloridas e gigantones a dançar. Mais ou menos o que seria de esperar duma festa minhota, mas num formato um pouco mais nórdico e friorento.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Claro que há os clichés. E há que experimentá-los a todos, não é esta a altura para ficarmos nas margens, de sermos alternativos. Até porque estamos a falar de cerveja, aliás cervejas, centenas de tipos diferentes, cada uma com o seu sabor e o seu copo, nada de misturadas, nem pensar. Estamos também a falar de chocolates, cada um com melhor aspecto que o anterior, a gritarem por nós nas montras das chocolatarias, montras de babar e de pasmar e há, ainda, as batatas fritas, com molho disto ou daquilo. Ah, e as waffles ou gaufres ou lá como se chamam, quase que me esquecia delas, com aquele cheiro a entranhar-se nas ruas. Terra de colesterol elevado, fosse eu belga e explodia antes dos 40 anos, era certinho.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quatro dias não dão para muito, por isso a ideia era apenas aborrecermo-nos em Bruxelas e chatearmo-nos em Bruges. E assim foi, menos os verbos. Tanto uma cidade como a outra, na sua enorme diferença, são para visitar de olhos abertos, mente desperta e pés no empedrado das ruas. E estejam à vontade, podem sorrir e espantar-se, não é vergonha gostar da Bélgica. Eu gostei. Gostei da dimensão humana das cidades, atravessadas por parques e canais, por espectaculares montras e por história. E por corvos, bandos deles, emprestando à cidade um colorido negrume.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Está bom de concluir, sempre que ler um texto a maldizer um destino, apanharei um avião para lá. A terra pode ter má fama, pode ser que eu tenha bom proveito.</span></p>
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<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:35147pnf2009-09-25T10:15:36Isto não me está a cheirar nada bem2009-09-25T08:39:02Z2009-09-25T08:39:02Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/7zU8FtOF1vjZzQZwRoE0/" alt="" style="border-color: black;" /> </span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span><span style="font-size: medium;"> </span></p>
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<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É sempre de louvar quando vemos uma empresa portuguesa a inovar, a rasgar horizontes e a arriscar a introdução de novos produtos no mercado global, inovações fresquinhas que farão espumar de raiva os seus concorrentes. Esse sim é o caminho, muito bem, venha daí um salva de palmas bem forte. Eu fico sempre contente quando isto acontece, agora não posso é garantir que goste sempre das inovações introduzidas...</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vem a coisa a propósito da mais recente aquisição para as casas de banho da empresa onde passo os dias e que tem a gentileza de me pagar o ordenado, mês após mês. Pois dá-se o caso que há mais de um semana que temos uma empresa portuguesa a fornecer um novo papel de secar as mãos, mas peço agora a vossa especial atenção para o pormenor, papel perfumado! Ah, estão vocês a pensar, grande coisa, isso já existe há para aí uns 20 anos. Está bem, contem-me coisas novas, eu também sei disso, mas aqui a especialidade é o aroma. É que estamos na presença dum papel com aroma a esgoto! E não se trata aqui dum engano, vê-se que a empresa está orgulhosa do seu produto, porque o cheiro não é forte, é muito forte! Que bonito é ver alguém inovar com esta violência olfactiva, os meus mais sinceros parabéns.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Claro que agora uma ida à casa de banho é tão agradável como um mergulho numa conduta de saneamento e apresenta ainda um problema olfactivo-ambiental: lava-se muito bem as mãos, com um cheiroso sabão líquido e seca-se com um desses inovadores papeis. Resultado: as mãos ficam a cheirar a fossa séptica. Voltamos a lavar e a ensaboar, seca-se e o resultado é o mesmo... Estão a ver o problema ambiental? Está bem que o papel é reciclado, mas obriga a tamanho gasto de água e sabão, que temo que a empresa esteja a dar uma no cravo e outra na ferradura, ambientalmente falando. Em conclusão, só conseguimos sair da casa de banho depois de lavar, ensaboar e secar as mãos à roupa. Parece-me que os gastos neste tipo de papel, vão rapidamente descer em flecha.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Engenhosa forma de reduzir custos. Quase que aposto que a próxima medida será adoptar um sabonete líquido com cheiro a enxofre, haja empresa que o forneça.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:35045pnf2009-09-09T13:33:53Celebrar a decadência2009-09-09T13:02:29Z2009-09-09T13:02:29Z<p><span style="font-size: medium;"><img height="336" border="0" width="350" src="http://fotos.sapo.pt/eANq4PlqgLPkR3cqIZnn/" style="border-color: black;" alt="" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
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<p><span style="font-size: medium;">Adversário de respeito, este. E luta inglória, é que não se vê maneira de o derrotar: contorná-lo, pará-lo ou derrubá-lo, não são opções. Atrasá-lo parece que também é complicado. Que nos resta, então? Há sempre a táctica cínico-derrotista do, se não posso vencê-lo mais vale juntar-me a ele, que neste caso da passagem do tempo, que é disso que se trata, tem expressão na celebração. Já que não o derrotamos, podemos sempre fingir que ficamos todos contentes, ai que alegria tão grande, com a sua vitória. Celebremos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Dá-se o caso, na verdade deu-se há uns dias (que atento que eu ando), dá-se o caso, dizia eu, que este blogue fez 2 anos. Não que o facto em si mereça grande celebração, basta ver a regularidade dos últimos textos para termos uma imagem dum infinito deserto branco, pintalgado aqui e ali por uns oásis em forma de posts. Celebramos, pois, um quase-cadáver, a quem ainda não houve tempo, oportunidade, coragem, sei lá, de dar o golpe misericordioso e o enviar para o céu dos blogues. Ou para o inferno deles. Para o purgatório não, porque tal coisa foi extinta por decreto papal e, por mim, muito bem, até porque era zona bem duvidosa e, certamente, muito mal frequentada.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Curiosamente, dei por mim a pensar: o curioso não é eu ter estado a pensar, até o faço com uma frequência relativa, às vezes mais do que uma vez ao dia, o curioso foi o pensamento em si. Avancemos. Pensei eu que, provavelmente, se o blogue já estivesse morto e acabado, esta celebração seria muito mais vantajosa, porque não faltariam grandes discursos elogiosos, coisa boa para o ego de qualquer mortal. É que não há morto mais formoso que o morto português. Toda a gente sabe que em Portugal qualquer escroque morto, ainda com o corpo a arrefecer, tem sempre um fundo de bondade, que foram as situações e tal que o levaram a ser um bocado mau, mas que no fundo no fundo, bem lá mesmo no fundo, era muito bonzinho e ajudava a mãe e até mesmo os pobrezinhos, coitado. Entre nós, ninguém é melhor em vida do que vai ser na morte, nem por sombras.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Tudo isto me leva a antever que a próxima celebração sobre este blogue que vou promover, quem sabe o seu terceiro aniversário, será já depois de ele morrer. Aí sim, aparecerão hordas de amigos, conhecidos e afins, todos de lágrima no canto do olho, expressão pesada pela perda e com elogios a granel pelas teclas fora. Momentos muito bonitos, antevejo e eu vou ficar muito tocado e praticamente sem palavras. Vai ser a glória.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Só não estou certo se, depois de morto, possam ser celebrados aniversários... Depois vemos isso.</span></p>
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<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:34625pnf2009-08-18T10:28:39De volta aos sapatos2009-08-18T08:31:16Z2009-08-19T11:04:45Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/DcogRv2E5ds89Uj4H32R/" style="border-color: black; width: 493px; height: 328px;" alt="" /> </span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span><span style="font-size: medium;"> </span></p>
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<p><span style="font-size: medium;">De modo que acabaram. Está bem que aqui ninguém se apercebeu, tal o marasmo blogueiro, mas as férias acabaram. Não as férias de escrita no blogue, que isso é coisa para assim permanecer; se quiserem vão queixar-se ao meu chefe. E, daí, não vão coisa nenhuma, que o resultado pode ser desinteressante para estes lados... Vá, estejam quietinhos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Pois este ano foi seguir o ir para fora cá dentro, que, se é para apanhar gripe, ao menos que sejam uns vírus que falem em bom português. Mas não é por andar cá dentro, que não se anda muito. Fomos dum extremo ao outro, regressamos e partimos para outro extremo, que o país é pequeno, mas tem extremos que se farta. Fartamo-nos, portanto, de extremar, como que a mostrar que não é no centro que está a vritude, mais uma frase feita que cai assim por terra, coitada.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Tracemos o mapa, que é sempre bom perceber-se do que se fala: de Braga a Milfontes, de Milfontes a Braga, de Braga a Miranda do Douro e de Miranda do Douro a Braga, mais as necessárias incursões pelas respectivas regiões. E, já agora, também uma ligeira incursão por regiões não nossas, um saltito a terras vizinhas, que acabou num caminho para cabras espanholas. Calma, não são as espanholas que são cabras, a estrada é que era para cabras, não vá já começar aqui e agora mais uma desavença diplomática. Muitas horas, muitos quilómetros, está feita a confirmação da publicidade que garante que o nosso país cresceu. Se não cresceu, parece.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Coisas várias se podem fazer em tão poucos dias. No extremo do litoral podemos sempre aspirar o cloro das piscina, esmagar as plantas dos pés nas pedrinhas à beira-mar plantadas, aterrar numa espreguiçadeira a ver as nuvens passar no azul do céu, pelo menos até aparecer uma face infantil a perguntar se já está na hora de cair na água, pela trigésima vez nos últimos 10 minutos. Ou então, numa impressionante recriação dum qualquer livro dos "Cinco", avançar sem medo por grutas escorregadias em busca dum monte de ferrugem, com forma de barco, encalhado para sempre num mar de areia.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Já no extremo das terras de Miranda a música é outra e parece-me evidente que seja feita em mirandês: parte-se nun barco bilingue para besitar cuorbos i demales passarada, mui sperançados que l barco nun se smague contra las arribas, l que ne ls tornarie ne l'almuorço de l duonhos de la casa... por falar an almuorço, hai que passar fame antes de partir para estas paraiges, adonde las tostas mistas son jantares para 4 pessonas i la la famosa posta ten tanto de bun cumo de trabalhoso. Mas nun ne ls quedamos, fomo-mos a eilha cumo manda la tradiçon. I eilha fui-se. Tradiçon ye tamien ber ls pauliteiros, tamien era solo l que faltaba alhá ir i nun ls ber, que serie bien pior que de l que nun ber l papa an Roma, yá qu'esse nun ten ritmo i dá un cacho de sono. Ls pauliteiros ye al cuntrário, haba ritmo i gaita de foles i ye bé-los a rodopiar i a paulitar, de roupas garridas, antre boltas i rebiraboltas, traçan caminos de coraige i beleza, tanto pa l mirar cumo pa ls oubidos. Quien bai la Miranda i nun ls bai ye ber, nun merece l'aire que respira.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E assim foi. E assim acabaram. E agora, que os sapatos finalmente tomaram o lugar das sandálias, já as saudades surgem. Não destas férias que passaram, mas sim saudades das próximas. Que para trás mija a burra; olhemos para a frente, então.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:34540pnf2009-07-07T16:53:38Investigação (na) Primária2009-07-07T15:54:37Z2009-07-07T15:54:37Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" alt="" style="border-color: black;" src="http://fotos.sapo.pt/RSR5LORdssmz7Ur2pd1v/" /> </span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet </span></p>
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<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Das duas, uma: ou as minhas filhas são muito intergeracionais ou as conversas sobre doenças, maleitas e achaques, não são propriedade privada dos velhinhos das salas de espera dos centros de saúde. Isto porque, à saída da aula de karaté, a conversa no carro aterrou na saúde ou na falta dela. Batemo-las todas: da constipação passamos à gripe (das aves, dos porcos e demais bicharada), da gripe fomos à pneumonia, a coisa ia-se agravando, o quadro clínico debatido era já bastante reservado, até que desaguamos no cancro. Ora foi aqui a Sara não pareceu estar ao nível da conversa, tendo necessidade duns esclarecimentos adicionais:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Cancro? E em que parte do corpo é isso?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não há nada mais bonito do que uma irmã mais velha a partilhar a sua sabedoria. E assim foi, a Beatriz esclareceu:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- O cancro pode ser em qualquer parte. Por exemplo, nos meninos, se lhes baterem na pila, podem ficar com cancro.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Palavra de professora, garantiu-me. Quem sou eu para discordar da sacrossanta palavra de tal sumidade? Naturalmente remeti-me ao mais respeitoso silêncio e dei graças a que não é por estarmos a falar duma pequena escola pública, que investigação científica da mais elevada categoria não seja feita por lá. Confesso que nunca encontrei o laboratório avançadíssimo que certamente existirá e até já andei a espreitar... Só se for na cantina, nas horas mortas. É, deve ser.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Ainda bem que o processo de avaliação dos professores está em marcha. Há que distinguir e premiar estes casos de excelência. É que não acredito que haja muitos locais no mundo onde uma professora primária, no intervalo da tabuada do três e dos substantivos colectivos, se dedica ao estudo do efeito duns bons pontapés no meio dumas pernas masculinas. Brilhante.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Sindicatos, baixem as armas! Deixem a avaliação avançar. A bem da Nação. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:34102pnf2009-03-30T10:02:06Quando o telefone toca2009-03-29T18:02:37Z2009-03-29T18:02:37Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/CPZ6otp5epNosnzO76WK/" style="border-color: black;" alt="" /> </span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quando o telemóvel anuncia que o meu próximo interlocutor dá pelo nome de "EB1 de ...", imagino imediatamente que a Beatriz está agarrada, com um esgar de dor, a qualquer parte do corpo, se espetou furiosamente contra uma parede na aula de educação física, partiu os óculos em trinta pedaços ou qualquer outra desgraça dentro do género. Foi esse o caso desta vez.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Que eram os ouvidos. Que estava a queixar-se de dores lancinantes desde manhã, que parece que a coisa era tão grave que ela não aguentaria a brutal espera de mais duas horas até nós lá chegarmos. A menina confirmou, respondendo com hum hum a tudo que perguntei. Naturalmente hesitei entre chamar os meus pais para a irem buscar, ou partir logo para a opção INEM, que a coisa afigurava-se gravíssima. Optei pela primeira, mas com um grande aperto no coração e mesmo com um sentimento de culpa já bastante acentuado, como podem imaginar.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A entrada no carro dos avós, mais uma vez travestido de ambulância, parece ter feito bem à maleita da menina: à pergunta da avó de como se sentia, bastou um abanar de mãos, como quem diz mais ou menos, para ficarmos logo todos mais aliviados. Sim, porque como é sabido, mais ou menos é muito melhor que mal. Que alívio, até já se respira melhor.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Para conseguir uma cura há quem faça de tudo um pouco: quem vá ao médico, ao hospital, ao curandeiro, ao endireita, à bruxa, faça promessas, consulte o Professor Bambo, poderoso mágico perito em magia branca e negra, maus-olhados, amarrações e arranjinhos em geral, quem se encha de medicamentos e outras opções mais. A Beatriz não. Ao que parece, basta-lhe umas horas na casa dos avós para logo melhorar. É que são várias as valências lá existentes, tudo em prol da saúde das crianças. Senão, vejamos: podem passar-se horas sem fim em frente ao computador, em diversas actividades, qual delas a mais divertida. Também temos a opção de nos estendermos num sofá a olhar para a televisão ou a ler qualquer coisa. Como é evidente, tudo isso acompanhado pela possibilidade de se lanchar umas cinco vezes por tarde, o que não faz senão bem. E depois há as actividades ao ar livre, que vai desde passear e apanhar flores, até uma paragem para comprar um brinquedo qualquer, culminando quase sempre num gelado puramente medicinal, evidentemente. Em conclusão, ir para a casa dos avós é como ir para as termas, sem a chatice da parte das termas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Serviu este episódio para confirmar, como se tal fosse necessário, a potência curadora dos ares da casa dos avós. Sim, porque era doença de monta, pobrezinha.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:33847pnf2009-03-09T12:00:19Solidariedade digital2009-03-09T12:04:50Z2009-03-09T12:04:50Z<p><span style="font-size: medium;"><img height="300" width="400" border="0" src="http://fotos.sapo.pt/ByebS4LyCv9kwoEoKLNg/" alt="" style="border-color: black;" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Há que começar com uma palavra de apreço para todos vocês aqui chegados, bem enganados pelo título do post. Bem sei que a palavra digital, com qualquer coisa atrás, atrai sempre uma boa quantidade de ávidos seguidores das parafernálias digitais, maluquinhos das novas tecnologias e demais fauna desse género. Eu sei que assim é, porque é o que me costuma acontecer. Estou, portanto, com vocês: solidário no vosso engano e triste com o tempo que agora perderam. É que aqui, neste post, digital vem de dedo, aqueles apêndices das mãos que, ao que parece, têm outras utilidades além de carregar em teclas e botões. Pronto, desfeito o engano, vão em paz e espero que aceitem as minhas sentidas desculpas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Se no </span><a href="http://aternurados35.blogs.sapo.pt/33655.html" rel="noopener"><span style="font-size: medium;">post anterior</span></a><span style="font-size: medium;"> lamentei uma consequência da falta de tempo, agora devo acrescentar outra: a falta de tempo magoa, uma dor física, bem forte por sinal. Sim, porque foi só por manifesta falta de tempo, por mais nenhuma outra razão, ora essa que ideia, que o meu polegar esquerdo se viu na triste situação de aguentar, simultaneamente, a pressão duma porta e a dureza duma parede. É que a pressa é muita e não há tempo para abrir convenientemente as portas, quem me dera... Pois foi assim que o negrume atingiu o dedo e o bater do coração abandonou o peito e instalou-se na unha. Pelo menos foi o que pareceu. Literalmente, foi ter o coração nas mãos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Mas há beleza escondida em todas as situações. Já o sabia, agora vi-o. E sentio-o. O momento solidário e fraterno estava ali mesmo à espreita e não se fez esperar: o polegar direito, ao ver o seu semelhante assim mutilado e entristecido, muniu-se dum profundo sentimento de partilha e empatia e arremessou-se, com uma interessante violência, contra um móvel. Foi lindo. Claro que o resultado foi de louvar, pelo menos em termos estéticos: dum lado o negro e, no outro, o vermelho sangue. Francamente belo e muito interessante também, porque o latejar do coração agora acontecia nas duas mãos. É tão bom ter dois corações, pode dar muito jeito em caso de transplantes e tal.<br />
</span><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Fica assim provado, como se ainda tal fosse preciso, que o povo é sábio quando diz que a pressa á má conselheira. Aliás, se quiserem uma prova ainda mais forte, basta lerem este texto novamente...</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:33655pnf2009-02-17T15:24:03Decidir, não decidindo2009-02-17T15:25:44Z2009-02-17T15:25:44Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" style="border-color: black;" alt="" src="http://fotos.sapo.pt/Ev2Z52krBesZTri2HPW7/" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não deve haver quem não saiba o que é a tirania do tempo, esse brutal exemplo da maldição dos recursos escassos. Bem queremos que ele estique, mas a sua elasticidade tem limites incompatíveis com os nossos desejos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Como sempre acontece nestes momentos de escassez, o primeiro passo para a sobrevivência é a escolha, o estabelecimento de prioridades, tu primeiro, tu a seguir, tu para o fim da fila, tu desapareces. Há que ter critérios e, neste caso, entre gastar o tempo no trabalho ou no blogue, pesou mais aquele que ajuda a colocar comida na mesa. Critério bem estúpido, dirão alguns. Sim, até pode ser, mas é que eu gosto bastante de comer. E o resto das pessoas que vivem lá em casa, também. Manias.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Já sabemos a causa, passemos à consequência: o blogue está à deriva, quase abandonado; arrasta-se penosamente pela blogosfera, numa orfandade de meter dó. E eu, seu pai desnaturado, encontro-me dividido entre a sádica manutenção desta agonia e declínio, ou, em alternativa, a utilização do meu cutelo virtual para aplicar-lhe uma piedosa eutanásia.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não encontro forma de me decidir. Mas, pensando bem, a não tomada de uma decisão é uma decisão em si mesma. Só falta saber a duração da não decisão. É para sempre? Quem sabe. Eu sei que não sei.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Mas uma coisa sei: por estes dias, este blogue é zombie.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:33535pnf2009-02-10T10:09:12Um estranho azedume2009-02-10T09:09:40Z2009-02-16T13:43:55Z<p><span style="font-size: medium;"><img height="313" width="400" border="0" src="http://fotos.sapo.pt/EocAhBUi5ceNW0oZBEZZ/" alt="" style="border-color: black;" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É ir em expedição a qualquer hipermercado e deambular pela secção dos cereais para pequeno-almoço: que infinito universo abre-se para nós! Há de tudo para todos, do intragável ao maravilhoso, de todas as formas, feitios e sabores. A escolha apresenta-se, praticamente, como uma impossibilidade. O melhor é pegar no mesmo de sempre ou no primeiro que aparecer.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Estando eu e a Sara em plena odisseia, por essa densa selva de sabores matinais, quando deparo com o meu pequeno-almoço preferido, em criança: O Nestum com Mel (Cara Nestlé, a factura por este momento publicitário segue pelo correio hoje mesmo). E passei a elogiar o produto à menina, que era uma delícia, que sabia assim e assado, que ia comprar para ela provar. Mas a Sara teve opinião diferente:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Com mel? Sabes papá, uma vez experimentei mel e não gostei.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A frase veio devidamente acompanhada por uma careta, que deu logo outra força à coisa. E continuou:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- É que eu achei o mel, assim,... azedo.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A Sara considera, portanto, que o mel é azedo. Algumas conclusões interessantes podem ser extraídas deste facto, como, por exemplo, estarmos na presença dum radical caso de inversão das papilas gustativas. É uma possibilidade, não o nego. Mas, sinceramente, não me parece ser esse o caso. Digo isto, porque vejo a alegria contagiante com que despacha tudo o que for doce e tenha o azar de se lhe atravessar no caminho: bolachas, chocolates, bolos e todos os seus sucedâneos, são universalmente considerados doces. E são considerados doces, porque são, fundamentalmente, doces. Ora se a Sara considera o mel azedo, estas guloseimas seriam descritas como? Penso que nem haverá palavra que descreva semelhante sabor...</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em resumo, a Sara considera o mel azedo e devora todas as outras guloseimas com alegria e rapidez. A meu ver, tudo isto revela um aspecto da personalidade da menina: estamos na presença duma empedernida masoquista. Só pode ser isso, está bom de ver.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:33270pnf2009-02-03T11:31:06Pela calada...2009-02-03T11:42:56Z2009-02-03T12:19:23Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" alt="" style="border-color: black;" src="http://fotos.sapo.pt/0SCUbnfGjQ8j3pvzfzt6/" /> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Então que vem a ser isto?</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Estava eu muito descansado e completamente a leste do blogue e destacam-no. Uma coisa muito feia, devo dizer: destacar assim pela calada, sem dar cavaco a ninguém, sem dar hipótese de fazer uma arrumação, uma limpeza vá. Que vão as pessoas pensar?</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Cara equipa do SAPO, para que eu possa melhorar a imagem negativa que estou agora a passar, por falta de preparação para esta avalanche de gente, solicitava que me voltassem a destacar na próxima semana. Prometo que prepararei um grande beberete e comerete. Uma coisa de categoria.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Fico desde já muito agradecido. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:32968pnf2009-01-27T10:00:11Sobre as vantagens do exercício físico2009-01-27T08:51:44Z2009-01-27T08:51:44Z<p><a target="_blank" href="http://fotos.sapo.pt/gLhTZJzptNTZCfphT6v9" rel="noopener"><img border="0" alt="" style="border-color: black;" src="http://fotos.sapo.pt/gLhTZJzptNTZCfphT6v9/340x255" /></a></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É como em tudo: se uma vai, a outra não fica. E depois há o traje, não há quem não aprecie um bom roupão branco de nome ajaponezado. Já para não mencionar na possibilidade de estarmos descalços, a pontapear, esmurrar e a gritar, como se não houvesse um amanhã. Tudo somado, está explicada a presença da Sara nas aulas de karaté.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quando tudo é novo, há momentos de deslumbre, de investigação e descobertas. Assim foram as primeiras aulas da Sara. Mas, bastou uma aula, para atingir a primeira grande descoberta: no regresso a casa depois da primeira sessão de karaté, com os dentes cravados num braço, afirma ela:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Vês papá, os meus músculos já estão mais fortes, mais duros!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Claro, o desporto faz muito bem aos músculos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Pois é. Assim, se alguém me quiser comer, já não vai conseguir, porque a minha carne está dura.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Esta cena, teve o condão de mostrar-me à evidência que, nas campanhas de promoção ao desporto, tem havido uma falha, que até pode ser considerada importante. Já todos sabemos que o desporto faz bem à saúde, fortalece coração, músculos vários, melhora isto e aquilo, faz bem a tudo, vá. Enfim, só vantagens, uma maravilha. Agora, o que não sabíamos, o que foi preciso vir a Sara mostrar-nos, é que o desporto tem ainda uma outra vantagem: torna o nosso corpo gastronomicamente menos apetecível, é uma excelente protecção contra o canibalismo. Esse grande flagelo das nossas sociedades ocidentais.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:32765pnf2009-01-18T10:00:22Hoje é dia de festa (V)2009-01-17T12:25:52Z2013-01-11T11:55:30Z<p><span style="font-size: medium;"><img style="border-color: black;" src="http://fotos.sapo.pt/CoSAf4OdeT67mi7qf0L3/" alt="" width="400" border="0" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><span>Imagem retirada da Internet</span></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não há amor como o primeiro.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É o defeito das frases feitas: quando as ouvimos, fazem sempre muito sentido, mas, quando testadas contra a realidade, perdem todo o significado, espalham-se ao comprido e revelam-nos toda a sua inconsistência.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Se eu duvidasse do que atrás disse, há seis exactos anos que essas dúvidas se teriam dissipado. O momento do nascimento dum segundo filho, é um momento de multiplicação e não de divisão. Os sentimentos, a atenção, os cuidados, as preocupações, as alegrias, as conquistas... Nada disso se passa a dividir por dois, é precisamente o seu inverso: tudo isso passa para o dobro.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Está exposta a falácia: há amor como o primeiro. O segundo, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Parabéns Sara.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:32442pnf2009-01-13T15:13:59A Cabala eléctrica2009-01-13T15:19:00Z2009-01-13T15:21:12Z<p><span style="font-size: medium;"><img height="400" border="0" width="396" alt="" style="border-color: black;" src="http://fotos.sapo.pt/147bH52R0o8re1qc9RsU/" /><br />
</span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Subi um degrau e estou agora num novo patamar: se </span><a href="http://aternurados35.blogs.sapo.pt/32133.html" rel="noopener"><span style="font-size: medium;">aqui</span></a><span style="font-size: medium;"> ainda podia haver uma boa coincidência de azares, agora estou mais inclinado para a teoria da conspiração, para uma cabala caseira.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Este ano já perdi um comboio: grande coisa, imagino que seja essa a vossa reacção. Pois. Mas, acontece, que eu nunca tinha perdido um comboio. Fazendo jus à verdade, eu nunca tinha perdido nada: nem carros, nem barcos, nem trotinetas, nem aviões, nem mesmo carrinhos de choque. Em resumo, nada de nada. Mas e porque é que eu perdi o comboio? Agora é que começa a Teoria da Conspiração a sério, porque o meu despertador não tocou. Exactamente, o meu despertador achou por bem manter um prudente silêncio, precisamente quando não podia fazer tal coisa. E não, não me esqueci de o ligar. E não, não estava com o volume demasiado baixo. E não, não falhou a luz lá em casa. E não, nunca tal tinha acontecido. Mais alguma pergunta? A resposta é não a tudo. Não há razão alguma, apenas a decisão da máquina de não trabalhar e, logo, no dia em que mais importante era que o tivesse feito. Estão agora a ver melhor a Teoria da Conspiração?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O boicote à minha ida para o comboio parece ter ser sido uma doença contagiosa. Ou, e é essa a minha opção preferida, mais uma face da terrível conspiração que grassa lá por casa. Para apanhar um segundo comboio, há que antes apanhar um carro. E, esse sim, deixou-se apanhar. Vá lá, alguma coisa a correr bem... Mas, o que é isto? Uma luz acesa no painel, mau sinal. E foi assim que o que podia ser um bom e breve trajecto, se tornou numa odisseia custosa, demorada e quase perigosa. Lá fui eu e o automóvel conspirador em alegre solavancanço, ora agora anda um pouco, ora agora desliga-se.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Está agora claro que anda um movimento conspiratório lá por casa. E, ao que parece, só recruta material eléctrico e electrónico. Confesso que já ando a olhar de canto para os meus electrodomésticos, porque tenho a sensação que vou ser agredido pelo micro-ondas ou pela torradeira. Se tal acontecer, prometo trazer para aqui os pormenores. O mesmo não prometo, caso o atacante seja a varinha mágica...</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:32133pnf2009-01-07T08:57:56Entrada a dois pés... esquerdos2009-01-07T10:18:53Z2009-01-07T10:18:53Z<p><span style="font-size: medium;"><img height="400" border="0" width="325" src="http://fotos.sapo.pt/36aDeLrPEt9A8Tgghl0T/" style="border-color: black;" alt="" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É, parece-me, habitual fazerem-se balanços no fim dos anos... Mas, como me esqueci de o fazer no fim de 2008 e não estou agora nada virado para andar a olhar para trás, resolvi fazer o balanço destes primeiros dias de 2009. Devo dizer que a coisa promete, dá-me a ideia que é capaz de vir a ser um período muito auspicioso. Senão, vejamos:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Tenho um computador portátil já entradote, coitado. Apresenta uns já interessantes 4 anos completos, o que corresponde em idade humana a, mais coisa menos coisa, uns bons 3500 anos. Isto assim, contando por baixo. Pois a pobre da máquina achou por bem recusar a ligar-se desde que o ano passado nos deixou, talvez saudades do antigamente, um apego ao passado, sei lá. Só sei que aquela porcaria não está a cumprir o seu papel e isso está a deixar-me levemente irritado.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Como não há uma sem duas, os meus óculos tomaram uma decisão muito importante: partiram-se a meio, sem qualquer razão. Assim mesmo, sem tirar nem pôr. Uma espécie de milagre da multiplicação óptica. Eram uns bons óculos e passaram a ser dois miseráveis monóculos, sem qualquer utilidade. Uma maravilha. Como é mais do que evidente, o seguro que me permitia ter uns novos óculos tinha acabado de terminar. Só assim é que a coisa passa de situação potencialmente engraçada para outra categoria bastante mais desinteressante...</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Já adivinharam: não há duas, sem três. Pois, acertaram. Ora, como o portátil continua a padecer da sua sombria depressão, há que trabalhar no seu primo afastado, computador de secretária. Coisa antiquada, um pouco fora de moda, bem sei, mas sempre fiel e segura, que está lá pronto para nos salvar, quando deles precisamos! Ou então não... Já era sorte a mais. Claro que este velho companheiro tinha que mostrar ser solidário com o seu familiar ferido, inventando uma maleita qualquer. Neste caso - quando não é boi é vaca - em vez de problemas físicos, a coisa foi da ordem do intangível. Psicológico, talvez. Há quem lhe chame software...</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Agora, se me dão licença, vou dar uma vista de olhos ao carro, para ver se o motor não caiu ao chão, por exemplo. E, de caminho, estou a pensar em verificar se alguma peça de mobília não terá cometido suicídio por auto-combustão. É que, pelo andar da carruagem, não seria nada de estranhar.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:31882pnf2008-12-31T16:08:41A primeira decisão do Ano Novo, ainda no velho2008-12-31T16:09:41Z2008-12-31T16:10:44Z<p><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/3mybbKGWrFdrWbKybDoR/" style="border-color: black;" alt="" /></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Ai este bacalhau está uma delícia, se não tivesse comida tantas entradas, ainda comia mais um pouco. Quem fez esta aletria? Os meus parabéns. Sim, aceito mais um pouco. Menos, menos, ai que dão cabo de mim. Claro que sim, bolo-rei tem mesmo que ser, é tradição. Mas é evidente que gosto de acompanhar o pão-de-ló com Queijo da Serra, para mim é a melhor forma de o comer. Vá, pronto, como só mais uma rabanada, que é para não fazer a desfeita. Olha, nem sabia que leite-creme era doce de Natal, mas já que aqui está é melhor provar um bocadinho. Hum, pinhões, que bom! Alguém que me faça o favor de retirar daqui este prato com chocolates, é que assim não há condições! Não me venham agora com esses camarões, haja piedade de mim. Eu sei que já provei a aletria, mas é que está mesmo boa. Se não houvesse estas amêndoas e avelãs para desenjoar, nem sei como seria. Pronto, já cá faltava o peru e a roupa-velha, não há respeito nenhum pela capacidade de sofrimento dum pobre mortal...</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Quinze quilos depois. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nasce uma decisão de Ano Novo: na próxima temporada, faço as análises ao colesterol antes da época natalícia. Deve poupar-se imenso tempo em sermões médicos.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Feliz Ano Novo para todos. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:31523pnf2008-12-23T10:00:09Vamos então às Boas Festas2008-12-22T15:56:23Z2008-12-23T09:45:29Z<p><span style="font-size: medium;"><img height="423" border="0" width="350" src="http://fotos.sapo.pt/7nMRv3AZvGKISkS8Ffu3/" alt="" style="border-color: black;" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Até parecia mal e seria mesmo deslocado, escrever um texto nesta semana que não fosse para dar as Boas Festas, desejar Natais auspiciosos, amanhãs que cantam, dias felizes para todos, coisas dentro desse género. Por isso, aqui estou para desejar-vos tudo isso e muito mais. Tudo o que quiserem, que a época não é própria para poupanças e, quando se pede, não se deve ser coxo.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Isso de Festas Felizes é que é conceito assim um pouco a dar para o generalista. Por isso cada um que o entenda como quiser. Eu cá não escolho padrões de felicidades festivas para os outros: se, por exemplo, o vosso conceito de Festas Felizes passar por ingerir delirantes quantidades de aletria, bolo-rei e afins, até à violenta explosão das artérias, pelo colesterol acumulado, quem sou eu para discordar? Por favor, estejam à vontade.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Apenas deixo um conselho final, diria mesmo um apelo: quando desembrulharem o presente da vossa tia-avó, por favor não se esqueçam de demonstrar imenso apreço pelas meias. Vá lá, não custa nada.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Boas Festas para todas e todos.</span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:aternurados35:31390pnf2008-12-18T09:54:50Emigrar para asneirar2008-12-18T08:55:08Z2008-12-18T08:55:08Z<p><span style="font-size: medium;"><img border="0" style="border-color: black;" alt="" src="http://fotos.sapo.pt/1Z8o4V1cZGd2LvgKWOyZ/" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Imagem retirada da Internet</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Todos sabemos que, nos últimos tempos, temos assistido a mais um renascer do movimento migratório dos portugueses. Está a crise a bater à porta e é ver-nos em debandada, mala na mão, sonhos desafogados na algibeira e a eterna saudade como infeliz companhia.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Lá em casa, mais especificamente na Sara, essa vontade de emigrar também já se faz sentir. As razões para tal, é que são um pouco distintas das do resto da população. Até porque, como se sabe, aos cinco anos de idade não existem problemas económicos: o dinheiro floresce nos multibancos e parece que é lá semeado por um conceito vagamente abstracto, acho que se chama trabalho, emprego ou coisa assim.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O desejo migratório da menina ficou patente e bem vincado num trajecto de carro, que ela fez com a Beatriz e os avós. É ponto assente, para quem tem filhos, que os fins de dia, com o cansaço acumulado, algum sono e uma natural propensão para a parvalheira, conseguem transformar pacatos passeios em espirais de asneiradas, em que uma diz mata e a outra diz esfola. Neste caso, a coisa descambou para o calão e para os palavrões, numa velocidade tal, que nem deu tempo para intervenção prévia dos adultos presentes. Quem diz palavrões, diz cuecas, xixi, cocó e por aí fora, até que a Sara atinge o seu Everest, o ponto alto da noite, ao sacar duma fortíssima "pila". Silêncio no carro, não sei se para melhor apreciarem a qualidade do momento ou talvez para estabelecerem a melhor reacção à coisa. Imagino que a segunda opção esteja mais correcta, porque o silêncio foi cortado pelo avô:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Ah pilas, sim senhor. Pilas é pilhas em espanhol, sabias?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Agora foi a Sara que estabeleceu breves segundos de silêncio. Mas, rapidamente recuperou:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Ai quem me dera viver em Espanha!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Para quê?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- Para falar espanhol.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Pobre criança, tão nova e já tão consciente que a nação a sufoca. Aos cinco anos de idade já vê como necessária a partida, ainda por cima para o "inimigo" de sempre, para que a sua liberdade seja completa.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Por aqui se vê que os camaradas que em 1640 acabaram com o jugo espanhol, deviam ter pensado um pouco mais. Caso não tivessem feito a Restauração, hoje poderíamos andar todos, e a Sara principalmente, a dizer pilhas e pilhas de pilas. E isso é que era! </span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;">Não teria era piada nenhuma...</span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span></p>